Ghost

Às vezes sou preguiçosa, eu fico com tédio, eu sinto medo, me sinto ignorada, eu me sinto feliz, eu me finjo de boba, eu brinco com minhas próprias palavras, eu tenho desejos, eu tenho sonhos e eu ainda quero acreditar que qualquer coisa pode acontecer neste mundo para uma garota comum. 







Eu odeio me fazer de durona. E odeio ainda mais me mostrar frágil. Na verdade, eu não sei o que fazer. Mas eu ainda prefiro assim, antes me mostrar forte do que fraca. Estar sempre fazendo pose de durona, cansa, e as vezes, eu quero mesmo é chorar e mostrar toda a minha fraqueza, mas tem uma parte de mim que detesta tudo isso.


Quero lençol bagunçado, café na cama, cortinas bem abertas. Quero abraço apertado, mordida na bochecha, beijo demorado. Quero banco do passageiro ocupado, cinemas às quatro, tempo para nós dois. Quero seu riso estampado, seu cheiro espalhado, nossa música na rádio. Quero pintar nossa casa da mesma cor do nosso laço, colar você no meu abraço, fazer amor. Quero sussurrar no teu ouvido, ouvir seu pior ruido, que você seja meu livro mais lido. Quero, acima disso tudo, você numa sexta feira a tarde sem preocupações, nós a sós, dividindo nossas vidas em uma só.


Quero alguém que pegue no meu pé, me dê broncas, me chame de birrenta, faça eu fazer o certo, mas que além de todos os meus erros e defeitos, me ame como se eu fosse perfeita. Que consiga me fazer feliz, apenas com um sorriso, e um olhar penetrante. Uma pessoa, que apesar de não ter tudo, tenha tudo pra me fazer feliz.


Eu só quero isso. Alguém que chegue, me faça rir, permaneça. Que dispute comigo no final do dia, quem ama mais. Eu só quero isso, um pouquinho de amor, de carinho. Quero alguém que fique, por mais difícil que esteja. Um sol, pra me fazer de Terra, e girar em torno. Para me iluminar, por mais que a escuridão aparente não ir embora. Alguém, para rir das piadas mais estúpidas do mundo. Quero alguém, que exista apenas em mim, quero existir em alguém. Ser o mundo de alguém. Quero alguém que, no final de um diálogo, diga tchau, pelo menos umas 5 vezes, e depois de tudo, apenas, esqueça de ir embora.

Fernando Moura  (via verborragias)

(Source: voar-te)

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